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23/01/2020 16:44 por Advillage

Príncipe saudita está envolvido em invasão do celular de Jeff Bezos, diz relatório da ONU

CEO da Amazon teve dados vazados após receber mensagem maliciosa pelo WhastApp; caso pode estar ligado ao assassinato de jornalista saudita

Especialistas da ONU pediram nesta quarta-feira (22) que sejam investigadas as acusações de que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, conhecido como MBS, está envolvido na invasão do telefone do CEO da Amazon, Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo.

De acordo com uma análise encomendada pelo empresário, seu celular pessoal foi hackeado em 2018. Em 8 de novembro daquele ano, apenas um mês após o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, na Turquia, Bezos recebeu um texto não solicitado da conta de WhatsApp de Salman, de acordo com uma investigação forense relatada pela primeira vez pelo jornal britânico The Guardian.

Segundo a ONU, a mensagem do príncipe herdeiro da Arábia Saudita continha uma única fotografia com uma semelhança impressionante com a mulher com quem o bilionário estava tendo um caso secreto. Dizia: “Discutir com uma mulher é como ler o Contrato de Licença de Software. No final, você precisa ignorar tudo e clicar em Eu concordo”. O link continha um downloader criptografado. Ao ser clicado, disparou a transferência de grandes quantidades de dados do dispositivo do empresário. O vazamento continuou por meses, segundo uma investigação forense conduzida pela FTI Consulting.

Para Agnes Callamard, relatora especial da ONU que está investigando o assassinato de Khashoggi, tudo indica que se tratou de tentativa, por parte do futuro rei saudita, de intimidar Bezos, que é dono do jornal Washington Post. Os relatórios de Callamard e do relator especial da ONU para a liberdade de expressão, David Kaye, indicam que Bezos foi vítima de um ataque direcionado.

O governo saudita negou as acusações e as chamou de "absurdas".

Bezos e MBS se conheceram alguns anos atrás, quando o saudita viajou para o Vale do Silício em busca de investimentos que ajudassem na transição de seu país para uma economia sem petróleo, assinala o El País. Mas as relações entre o bilionário e aquele príncipe que falava em realizar grandes reformas no reino conservador azedaram por causa do assassinato de Khashoggi no consulado saudita em Istambul, em outubro de 2018.

Segundo os relatores da ONU, o suposto hackeamento foi provavelmente realizado com um produto de espionagem como o Pegasus-3, da empresa israelense NSO. O relatório da perícia do celular de Bezos também cita a possibilidade de que tenha sido usado o programa Galileo, da italiana Hacking Team.

O comunicado de Callamard e Kaye pede um “controle mais rigoroso” dos meios digitais de vigilância para proteger contra abusos. “Torna-se patente a necessidade urgente de uma moratória na venda e transferência global de tecnologia de vigilância privada”, concluem os especialistas.

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