Home > ARTIGOS > Gastos do governo, crescimento e juros

ARTIGOS

21/06/2019 08:19 por Redação

Gastos do governo, crescimento e juros

O excesso de gastos nos últimos anos gerou má alocação de capital, dívida crescente e está por trás da recessão que vivemos, com a piora de risco e confiança

Fernando Honorato Barbosa*

O Brasil está em meio a uma importante mudança em sua política fiscal, iniciada com o teto dos gastos: a despesa real do Governo Federal deixou de se expandir 6,0% ao ano para exibir uma contração anual de 0,2% desde então. Desde o início desse processo, vários economistas chamaram atenção para o fim do chamado efeito crowding-out, situação em que o governo “expulsa” o setor privado da economia ao ser o principal tomador de crédito.

No meio dessa transição de política fiscal, entretanto, é preciso pensar no chamado fiscal drag. Esse conceito foi muito usado no mundo desenvolvido após a crise de 2008 e na crise europeia de 2011 para representar o efeito sobre a economia da contração dos gastos públicos. Durante o necessário processo de ajuste fiscal, governo, FMI e bancos centrais discutiam qual era o tamanho do efeito do processo de consolidação fiscal sobre o crescimento. Mas é possível falar em fiscal drag em um país que apresenta um déficit nominal superior a 6,5% do PIB, como o Brasil? Sem dúvida. O conceito relevante aqui é o efeito da contração das despesas primárias na economia.

Com a economia perdendo tração ao longo dos últimos meses, a constatação óbvia é a de que o fiscal drag tem sido muito maior no Brasil do que imaginávamos, explicando uma parcela importante da frustração com o crescimento. Ainda que haja outros fatores, não parece razoável se atribuir a falta de crescimento recente apenas à baixa – e talvez decrescente – produtividade da economia brasileira. Há inúmeras evidências, a julgar pela folga nas contas externas, no mercado de trabalho, na variação de salários e nos núcleos de inflação, além da ociosidade na indústria, de que a limitação ao crescimento de curto prazo não se deve a restrições do PIB potencial.

Quais são as implicações práticas, portanto, dessa constatação? Devemos voltar ao modelo antigo de expansão do gasto público? Com déficit e dívida pública crescentes nos últimos anos, não faz sentido que a resposta seja mais gasto público; não há espaço! O excesso de gastos nos últimos anos gerou má alocação de capital, dívida crescente e está por trás da recessão que vivemos, com a piora de risco e confiança.

Em um contexto de esperada consolidação fiscal, o fiscal drag pode ter custos de curto prazo, nessa fase transitória, mas deve finalmente permitir que o Brasil mantenha juros e inflação muito próximos da média dos emergentes, contribuindo para reduzir a ociosidade e o desemprego, levando a um crescimento próximo ao potencial nos anos à frente.

Clique no botão DOWNLOAD, logo abaixo, para ler o artigo com gráficos e tabelas.

* Fernando Honorato Barbosa é diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

DOWNLOAD '
Enviando