Home > ARTIGOS > Dinâmicas regionais serão favorecidas pelo agronegócio, pela indústria e pela retomada do mercado de trabalho

ARTIGOS

13/03/2019 15:49 por Redação

Dinâmicas regionais serão favorecidas pelo agronegócio, pela indústria e pela retomada do mercado de trabalho

Priscila Trigo*

A economia brasileira cresceu 1,1% em 2018, com distinções regionais. Essa dinâmica heterogênea refletiu o avanço mais pronunciado do comércio varejista e a retomada do mercado de trabalho formal. Entre as maiores expansões no ano passado, destacamos o Norte e Sudeste entre as regiões, e Espírito Santo, Amazonas e Paraná, em termos estaduais. Para 2019, Norte e Centro-Oeste devem se mostrar como as mais dinâmicas, as regiões Sul e Sudeste devem crescer mais alinhadas à média nacional e Nordeste seguirá com desempenho abaixo da economia brasileira.

O Norte e o Sudeste registraram os melhores desempenhos em 2018. A primeira região apresentou a maior expansão, apesar de sua retomada ter ocorrido tardiamente – na virada de 2016 para 2017. Ademais, o Amazonas registrou o segundo maior crescimento entre os estados, impulsionando a região. No Sudeste, o impulso veio tanto do Espírito Santo (estado com maior crescimento) quanto de Minas Gerais. O Rio de Janeiro, que estava atrás no ciclo de retomada, mostrou aceleração a partir do segundo semestre do ano. Entretanto, a redução dos empregos formais na construção civil em 2018 reforçou o cenário de lentidão na retomada do ciclo de construção imobiliária. Por fim, as restrições orçamentárias do governo do Rio de Janeiro também geraram impactos sobre a recuperação da atividade local.

A região Sul teve desempenho mediano, mas aqui vale fazer algumas ressalvas.Primeiro, a região largou na frente na saída da recessão recente, ou seja, a base de comparação é maior. Em meados de 2017, o Sul já apresentava desempenho positivo. Adicionalmente, houve quebra de safra de milho decorrente de uma estiagem durante o desenvolvimento da cultura, que foi seguida por chuva intensa, próxima ao período de paralisação no setor de transportes em maio passado. De qualquer forma, a região continuou em aceleração em 2018, ainda que em ritmo mais moderado. Também cabe comentar que o Paraná registrou o terceiro maior crescimento entre os estados, mesmo com quebra de safra agrícola.

Já as regiões Nordeste e Centro-Oeste seguiram atrás no ciclo de recuperação.O dinamismo da atividade industrial, das vendas no varejo, do setor de serviços e da geração de emprego está mais fraco no Nordeste. Assim como no Rio de Janeiro, a retomada se concentrou no segundo semestre de 2018. No Centro-Oeste, a desaceleração da indústria e o desempenho mais fraco do comércio limitaram a expansão da região. Apesar de terem declarado estado de calamidade financeira somente em janeiro deste ano, os governos de Goiás e de Mato Grosso também estavam com orçamento restrito, o que deve ter influenciado negativamente na atividade econômica. Ainda assim, o mercado de trabalho no Mato Grosso apontou criação de vagas acima da média nacional, puxado pelo agronegócio, indústria e comércio.

Para 2019, o ritmo de crescimento da atividade doméstica deve acelerar gradualmente, ainda que, neste início de ano, a recuperação esteja sendo mais lenta do que o esperado inicialmente.Da mesma forma que no ano passado, a expansão esperada não deve acontecer na mesma intensidade e velocidade em todas as regiões do país.As incertezas em relação ao ritmo de recuperação da economia brasileira aumentaram, com a recente perda de tração do mercado de trabalho e a acomodação dos indicadores de confiança. Somado a esses vetores domésticos, que têm limitado principalmente a continuidade da forte expansão do comércio, a recessão argentina e a desaceleração da economia global contribuem para esse quadro de baixo dinamismo.

Em paralelo à perspectiva para a economia brasileira como um todo, as economias do Centro-Oeste e do Norte deverão ser favorecidas pelo agronegócio e pela indústria (manufatureira e extrativa), respectivamente. As regiões Sudeste e Sul, por sua vez, ainda que com desempenhos distintos entre os estados, crescerão mais alinhadas com a média nacional. O Nordeste se manterá atrás no ciclo de recuperação, com crescimento sustentado pelos segmentos de comércio e de serviços, mas com retomada ainda lenta da construção civil.

Clique no botão DOWNLOAD, logo abaixo, para ler o artigo com gráficos e tabelas.

* Priscila Trigo é economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

DOWNLOAD '
Enviando